Sons Para Os Olhos

por Débora Fantini 17 de nov.

O Renascimento, período associado ao realismo e aos avanços ópticos, já caminhava para seu ocaso quando o matemático francês L. Bertrand Castel , autor de um tratado sobre a melodia das cores, lançou um desafio para a posteridade: chegaria o dia em que um artista seria capaz de criar algo que possibilitasse aos olhos perceberem todos os prazeres que a música provoca nos ouvidos?

Passados três séculos e meio, o paradoxo da música visual é enfrentado por muitos artistas, valendo-se das novas tecnologias. Um belo experimento nesse sentindo é o vídeo Spek, de autoria do espanhol Fernando Fuentes, que se apresenta artisticamente como Moonsta.

Spek interpreta a simbiose entre som e imagem como uma paisagem abstrata, que remete a modelos da infinita recriação do universo, com estruturas em formação e desintegração. Perseguindo as qualidades espaciais da música, sua tridimensionalidade que nos escapa quando simplesmente a ouvimos, o autor parece, ele próprio, criar um mundo, no caso, usando o After Effects e até mesmo distorcendo frame por frame no Photoshop.

A relação simbiótica entre música e imagem também é o ponto de partida da criação de videoclipes pela marca francesa Dalbin, já abordada em uma entrevista por aqui.

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